Estimados amigos e alunos,
Situei-me, apenas na data de hoje, sobre o absurdo empreendido no exame de ordem realizado no último domingo, razão pela qual me vi compelido a escrever esta mensagem.
Ao ter contato com a totalidade das questões passei a procurar uma justificativa racional para a prova. Idiotice a minha, pois o objetivo da organizadora foi absolutamente irracional, razão pela qual não teria como encontrar justificativas racionais para o que li e, por isto mesmo, como diretor de subseção da briosa Ordem dos Advogados do Brasil, tenho a obrigação moral de me manifestar sobre a prova.
A prova realizada neste último domingo não teve, nem de longe, o objetivo de auferir o conhecimento do candidatos. Trata-se, isto sim, de um exame preparado com objetivos outros, menos o de conferir nível de habilidade dos bacharéis em Direito.
Outro dia postei em meu blog um artigo intitulado (Des)Qualificação dos cursos de direito, onde discutia-se os horríveis números, divulgados pelo MEC, sobre os cursos de direito. Na matéria ficou ressaltado a ausência de qualidade dos cursos de direito, pois, das 24 mil vagas fechadas desde 2008, 23 mil eram de direito.
Desta vez, no entanto, a matéria deve ser outra, deve alertar para o (des)nível das provas elaboradas pelo CESPE. Foge totalmente à racionalidade humana interpretar o nível da última prova, certamente confirmada pelos altos índices de reprovação, como algo absolutamente normal e desejável.
Em verdade, pelo que li, foi uma estupidez, mas apontar os motivos para tal ficam por conta da imaginação de cada um, não me cabe aqui agir com mesma covardia. No entanto, é preciso relembrar, o CESPE vem, nos últimos exames, gerando um descontentamento geral seja pela ausência de organização na realização do certame, seja pela ausência de qualidade e nível quando da correção das provas do examinados. Para ficar em um exemplo, basta lembrar o quiproquo gerado com a prova prático-profissional de Direito do Trabalho (2009.2) onde houve duas revisões de correções.
Estes fatos revelam, sem dúvida, que a conduta reprovável e o despreparo, para utilizar termos cuja elegância do texto exige, é da Comissão Organizadora do certame e não de vocês que, de boa-fé se submeteram ao exame. A razão para a covardia pode ter algumas justificativas: intenção de reprovar, intenção de arrecadar ou, o que é pior, satisfazer a velha e conhecida vaidade humana que, aliás, já alcançou um grau de insensatez tão elevado que fica difícil imaginar até onde a maldade humana justifica algumas ações. Neste ponto, ultimamente, tenho pensado sobre a validade do pensamento hobbesiano, mas, como já ressaltado, não me cabe apontar qual deles aplica-se ao caso.
Enfim, gostaria de registrar, permitam-me, minha total solidariedade àqueles que depositam suas vidas, seus ideais, seus objetivos e ainda acreditam na briosa e indispensável carreira da Advocacia. Como já tive oportunidade de deixar registrado e aqui, mais uma vez, preciso reprisar, nunca recuem diante de situações que à primeira vista são obstáculos, mas que, na verdade, são os primeiros degraus para a construção de uma brilhante carreira e de uma sociedade melhor. E com vocês, meus caros alunos e amigos, solidarizo-me incondicionalmente, bem como coloco-me à disposição para o que der e vier, custe o que custar.
Não abaixem a cabeça, pois não há razão para se deixar abater. Imagino não seja uma situação boa e nem gostaria que vocês passassem por ela, é verdade. Mas, por outro lado, a vida continua e sigamos, sempre, em frente!
Abraços.
Prof. Eduardo Viana P. Neves